Oficinas manuais e poéticas

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Descobrindo os pequenos artistas e valorizando os despropósitos e belezas da infância.

Mãos de criança manipulando materiais de artesanato

Um poema para começar

Abaixo, um belo poema do escritor sobre a arte e seus despropósitos, publicado em 1999, no livro Exercícios de ser criança.

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.

Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

— Manoel de Barros

Presente do dia

Abra a caixinha e ganhe uma dica de arte

Dica de hoje

Investigação com lupas de mão

Sementes, favas secas e cascas ampliadas por lentes iluminadas.

  1. 1Disponha achados naturais sobre tecido claro.
  2. 2Olhe através da lupa e descreva o que vê.
  3. 3Desenhe o ampliado num caderno.

Uma dica nova a cada dia. Volte amanhã para outra surpresa.